Boicote derruba ações
Vamos ser diretos: quando um boicote estoura, o mercado quase sempre reage mal…
Foi exatamente isso que aconteceu com a Havaianas e sua controladora, a Alpargatas…
Este artigo não é um manifesto político, nem uma defesa de marca…
Quando o barulho é maior que o impacto real
Primeiro, precisamos separar duas coisas: barulho e fundamento…
O caso Alpargatas: o ativo não mudou, só o humor do mercado
O caso Alpargatas: o ativo não mudou, só o humor do mercado
Após a campanha publicitária da Havaianas gerar reação política e pedidos de boicote, as ações da Alpargatas sofreram uma queda rápida. Para quem olhou apenas o noticiário, parecia um problema grave. Para quem analisou os números, era apenas volatilidade.
A Alpargatas não perdeu capacidade produtiva, não perdeu marca, não perdeu presença internacional e não perdeu seus contratos. Nada estrutural foi afetado. Ainda assim, o mercado penalizou o papel.
Segundo as estatísticas do Finaxa, que cruzam dados de crises reputacionais com tempo médio de recuperação de empresas consolidadas, o cenário apontava uma normalização até o Carnaval de 2026. Era um prazo conservador. A realidade mostrou que o mercado se ajustou bem antes disso.
Gráfico 1 — O roteiro clássico: queda emocional e recuperação racional
Esse movimento se repete: o medo derruba o preço rapidamente, mas a recuperação vem quando os fundamentos falam mais alto.
Por que boicotes quase nunca quebram empresas grandes
Existe um mito de que boicotes destroem empresas. Na prática, isso quase nunca acontece quando falamos de companhias consolidadas. O motivo é simples: elas são diversificadas, resilientes e têm marca forte.
No caso da Alpargatas, reduzir a empresa a "venda de chinelos" é um erro comum. A companhia opera globalmente, licencia sua marca, tem receitas fora do Brasil e atua em diferentes frentes. Ou seja, mesmo que um mercado específico sinta algum impacto pontual, o conjunto da operação absorve o choque.
Além disso, a maioria das pessoas que participa de boicotes o faz por um curto período. Com o tempo, o consumo volta — muitas vezes de forma quase imperceptível.
O histórico brasileiro confirma: quem compra na crise ganha depois
Esse roteiro não é novidade no Brasil. Pelo contrário, já vimos isso diversas vezes.
O Magazine Luiza, por exemplo, enfrentou boicotes após campanhas publicitárias e posicionamentos institucionais. A Natura passou por algo semelhante. Bancos estatais e privados já foram boicotados por diferentes lados do espectro político.
Em todos esses casos, o padrão foi parecido: queda rápida, medo generalizado e, meses depois, recuperação para quem teve paciência.
Gráfico 2 — Antes do boicote, durante o pânico e depois da poeira baixar
O preço sofre no auge do medo, mas tende a superar o nível anterior quando a realidade volta a ser considerada.
O erro mais comum do investidor pessoa física
O investidor pessoa física costuma fazer exatamente o oposto do que deveria. Compra quando tudo parece perfeito e vende quando tudo parece desmoronar. Boicotes escancaram esse comportamento.
Enquanto isso, investidores mais experientes observam os dados, analisam caixa, marca, endividamento e posição competitiva. Se nada disso mudou, a queda vira convite.
Foi isso que os números do Finaxa mostravam no caso da Alpargatas: a probabilidade de recuperação era alta, o risco estrutural era baixo e o tempo jogava a favor.
boicotes passam, fundamentos ficam
No fim das contas, boicotes dizem muito mais sobre o clima social do que sobre a saúde real de uma empresa. Eles assustam, geram volatilidade e criam manchetes. Mas raramente destroem valor no longo prazo.
Para o investidor que consegue separar emoção de análise, esses momentos são preciosos. Enquanto muitos vendem com medo, poucos compram com estratégia.
E, como a história do mercado brasileiro insiste em mostrar, são esses poucos que costumam colher os melhores resultados.
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