3 de fevereiro de 2026

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Pensou em dinheiro, falou do Finaxa

Finanças do Galo: A Verdade Sobre a Dívida, Arena MRV e o Futuro da SAF do Atlético-MG

Análise financeira do Atlético Mineiro com gráficos econômicos, documento contábil e elementos visuais que representam dívidas, receitas e situação econômica do clube.

Painel financeiro representando a análise completa das contas, dívidas, receitas e projeções do Atlético Mineiro entre 2024 e 2026.

Painel financeiro representando a análise completa das contas, dívidas, receitas e projeções do Atlético Mineiro entre 2024 e 2026.

Nos últimos anos, o Atlético Mineiro vem vivendo um dos momentos mais paradoxais da sua história: nunca ganhou tanto dinheiro… e nunca deveu tanto ao mesmo tempo.
É exatamente esse contraste que faz o caso do Galo ser um dos mais estudados quando falamos de finanças no futebol brasileiro.

A seguir, explico de forma simples, direta e sem enrolação o que realmente está acontecendo.


2024: O Ano Mais Rico da História — e também um dos mais caros

Em 2024, o Atlético bateu recorde de receita: cerca de R$ 674 milhões entraram no caixa. É um número enorme, e mostra que o clube aprendeu a ganhar dinheiro de forma profissional.

O mais importante é que quase R$ 500 milhões vieram de receitas recorrentes — coisas que não dependem de vender jogador:

  • direitos de TV
  • bilheteria
  • sócio-torcedor
  • patrocínios
  • Arena MRV

Isso é sinal de crescimento sustentável.

Além disso, o clube também bateu recorde em vendas de jogadores, chegando perto de R$ 183 milhões.

👉 Mas aí vem o porém.

Mesmo com toda essa entrada de dinheiro, o clube fechou o ano com um prejuízo líquido de cerca de R$ 299 milhões.
Por quê?

Principalmente por causa de três fatores:

  1. Dívida muito alta e juros altíssimos
  2. Custo do futebol extremamente elevado
  3. Despesas acumuladas dos últimos anos

Só a folha salarial do futebol em 2024 passou de R$ 290 milhões.

E falando em dívida…


A Dívida: O Elefante na Sala

O grande problema do Atlético hoje não é falta de receita — é o tamanho da dívida.

No fim de 2024, a dívida líquida já estava perto de R$ 1,37 bilhão.

Dependendo da metodologia de cálculo (usada por bancos ou analistas independentes), o número pode chegar a R$ 1,8 bilhão.

E alguns especialistas já apontam que, considerando tudo — juros futuros, arena, empréstimos, acordos longos — o risco é chegar perto dos R$ 2,3 bilhões.

É muita coisa para qualquer clube.

O lado bom:
A SAF vem publicando relatórios com padrão internacional (IFRS), e isso aumenta a transparência e reduz a desconfiança do mercado.

O lado ruim:
Com dívidas altas, os juros consomem boa parte do caixa.
Isso significa que mesmo faturando muito, o clube sofre para guardar dinheiro.

Arena MRV: O que realmente ajuda o Galo

Se existe um ativo que mudou o patamar financeiro do clube, é a Arena MRV.

Em 2024:

  • Rendeu mais de R$ 88 milhões em bilheteria
  • Teve margem operacional de cerca de 70%
  • Levou público acima de 34 mil torcedores por jogo

Ou seja:
A arena é uma máquina de gerar receita com ótimo custo-benefício.

O problema?
Parte da dívida do clube também vem da própria arena. Então, ela ajuda, mas também pesa no lado do passivo.


2025: O Ano da Realidade Batendo à Porta

Em 2025, a fotografia financeira do Galo não mudou muito — e isso tem preocupado analistas.

O que sabemos até agora:

  • A dívida continua crescendo, e a diretoria admite que zerá-la rapidamente não é possível.
  • O clube prepara nova auditoria e nova apresentação pública dos números.
  • Há questionamentos internos e externos sobre a velocidade da redução do passivo.
  • Alguns levantamentos mostram que a diferença entre “dívida oficial” e “dívida real” pode chegar a R$ 800 milhões dependendo do critério.

Apesar disso, a SAF ainda é vista como mais organizada que o clube pré-SAF, especialmente em:

  • governança
  • auditoria
  • controle de receitas
  • transparência

O sentimento para 2025 é de um clube rico, mas engessado pela dívida.


O Que Esperar para 2026?

Com base nos números atuais, o cenário 2026 para o Atlético pode ser assim:

Receita

A tendência é continuar crescendo.
Projeção realista: R$ 700 a 750 milhões de receita bruta.

💼 Vendas de jogadores

Devem continuar importantes para fechar as contas.
Estimativa: R$ 150–200 milhões.

💸 Despesas

Dificilmente caem.
A folha salarial deve continuar alta, a arena demanda manutenção e o time precisará investir para ser competitivo.

📉 Dívida

A dívida não deve diminuir rápido.
Projeção: R$ 1,8 a 2,2 bilhões, dependendo das renegociações.

📌 Riscos

  • juros altos
  • dependência de venda de atletas
  • custos operacionais elevados

📌 Oportunidades

  • aumento de sócios
  • mais eventos e jogos na arena
  • novos patrocinadores
  • renegociações da dívida

O Atleticano Precisa Saber Disso

O Atlético vive sua fase mais profissional da história.
A SAF organizou, aumentou receita, melhorou governança, modernizou relatórios e potencializou a Arena MRV.

Mas não dá para fugir da realidade:

O Galo é um clube rico… e muito endividado.

O desafio não é mais ganhar dinheiro — isso já acontece.
O desafio agora é fazer esse dinheiro sobrar, renegociar dívidas e reduzir o impacto dos juros.

Se o clube conseguir isso, pode virar um dos cases de sucesso do futebol brasileiro na próxima década.
Se não conseguir, continuará preso em um ciclo de alta receita e alto endividamento.

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